Revista de Economia e Sociologia Rural
https://revistasober.org/article/doi/10.1590/1806-9479.2020.191298
Revista de Economia e Sociologia Rural
ARTIGO ORIGINAL

Clusters espaciais de “agriculturalização” no meio rural de alguns estados brasileiros

Alysson Luiz Stege; Carlos José Caetano Bacha

Downloads: 1
Views: 407

Resumo

O meio rural brasileiro tem se caracterizado, em especial nas últimas quatro décadas, pela diminuição da sua população, diminuição do total de pessoas ocupadas na agropecuária e pelo crescimento de atividades não agrícolas. No entanto, esses processos não são homogêneos entre os estados brasileiros, parecendo haver regiões ainda mais agrícolas do que outras. Neste contexto, o presente artigo tem como objetivo propor e estimar, usando a análise fatorial, um indicador de intensidade das atividades agrícolas (chamado de indicador de “agriculturalização”), além de apresentar a distribuição espacial deste indicador. Para tanto, utiliza-se a análise exploratória de dados espaciais considerando os estados Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, tomando-se como referência os anos de 2000 e 2010. Esses estados foram escolhidos pela sua proximidade física, pela sua importância na agropecuária nacional e por compartilharem atividades agropecuárias similares. Diagnosticou-se a presença de aglomerações espaciais do tipo Alto-Alto para o indicador de “agriculturalização”. Essas aglomerações espaciais podem ser explicadas pela presença dos complexos agroindustriais existentes em tais regiões e pelo próprio efeito espacial do transbordamento da atividade agrícola.

Palavras-chave

agriculturalização; agropecuária; análise fatorial; análise espacial; clusters

Referências

Almeida, E. S., Perobelli, F. S., & Ferreira, P. G. C. (2008). Existe convergência espacial da produtividade agrícola no Brasil? Revista de Economia e Sociologia Rural, 46(1), 31-52.

Almeida, E.S. (2012). Econometria espacial aplicada (468 p.). Campinas: Alínea.

Anselin, L. (1995). Local indicators of spatial association - LISA. Geographical Analysis, 27(2), 93-115.

Azevedo, P. R., Colognese, S. A., & Shikida, P. F. A. (2000). Agroindústrias familiares no oeste do Paraná: um panorama preliminar. Organizações Rurais & Agroindustriais, 2(1), 3-10.

Bacha, C. J. C. (2011). The evolution of Brazilian agriculture from 1987 to 2009. In W. Baer & D. Fleischer (Eds.), The economies of Argentina and Brazil (Vol. 1, pp. 97-125). Cheltenham: Edward Elgar.

Balsadi, O. V. (2001). Mudanças no meio rural e desafios para o desenvolvimento sustentável. São Paulo Perspectiva, 15(1), 155-165. Balsadi, O. V., & Borin, M. (2006). Ocupações agrícolas e não-agrícolas no rural paulista: análise das evoluções no período 1990-2002. São Paulo em Perspectiva, 20(4), 155-174.

Banco da Amazônia. (2002). Projeto de contribuição ao desenvolvimento dos principais arranjos produtivos locais potenciais dos Estados da Amazônia (33 p.). Belém. Recuperado em 29 de setembro de 2013, de http://www.basa.com.br/ bancoamazonia2/includes/ institucional/arquivos/biblioteca/artigos/ arranjosprodutivos/ CLUSTER_MATOGROSSO.pdf

Barbosa, G. R. (2007). Os consórcios de produtores rurais no complexo agroindustrial citrícola paulista: das gatoperativas aos gatosórcios: a velha forma de contratação de mão-de-obra rural (Dissertação de mestrado). Universidade Federal de São Carlos, São Carlos.

Brakman, S., Garretsen, H., & Schramm, M. (2002). New economic geography in Germany: testing the Helpman-Hanson model (40 p.). Hamburg: HWWA. Recuperado em 10 de janeiro de 2015, de http://ageconsearch.umn.edu/bitstream/26183/1/dp020172.pdf

Brandão, A. S. P., Rezende, G., & Marques, R. W. C. (2006). Crescimento agrícola no período 1999/2004: a explosão da soja e da pecuária bovina e seu impacto sobre o meio ambiente. Economia Aplicada, 10(2), 249-266. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-80502006000200006

Buainain, A. M., & Dedeca, C. S. (2008). Introdução: emprego e trabalho na agricultura brasileira. In C. Miranda & B. Tibúrcio (Eds.), Emprego e trabalho na agricultura brasileira (Cap. 1, pp. 19-62). Brasília: IICA.

Bussab, W. O., & Morettin, P. A. (2006). Estatística básica (5. ed., 526 p.). São Paulo: Saraiva.

Camarano, R., & Abramovay, R. (1999). Êxodo rural, envelhecimento e masculinização no Brasil: Panorama dos últimos 50 anos (23 p.). Rio de Janeiro: IPEA.

Capucho, T. O. (2010). Produção leiteira no Paraná: um estudo considerando os efeitos espaciais (Dissertação de mestrado). Universidade Estadual de Maringá, Maringá.

Carmo, R. L., Guimarães, E., & Azevedo, A. M. M. (2002). Agroindústria, população e ambiente no sudoeste de Goiás. In Anais Eletrônicos do 13º Encontro da Associação Brasileira de Estudos Populacionais. Ouro Preto: ABEP. Recuperado em 3 de maio de 2013, de http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/anais/pdf/2002/GT_MA_ST13_Carmo_texto.pdf

Costello, A. B., & Osborne, J. W. (2005). Best practices in exploratory factor analysis: four recommendations for getting the most from your analysis. Practical Assessment Research & Evaluation, 10(7), 1-7.

Cunha, J. C. (2008). Nova geografia econômica: um ensaio para o Brasil (Dissertação de mestrado). Faculdade de Ciências Econômicas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

Fujita, M., & Thisse, J. F. (2002). Economics of agglomeration: cities, industrial location, and regional growth (480 p.). Cambridge: Cambridge University Press.

Fujita, M., Krugman, P., & Venables, A. J. (2002). Economia espacial: urbanização, prosperidade econômica e desenvolvimento humano no mundo (S. A. P. Cardoso, Trad.). São Paulo: Futura.

Gallup, L. J., Sachs, J., & Mellinger, A. D. (1999). Geography and economic development. International Regional Science Review, 22(2), 179-232.

Glaeser, E. L., Scheinkman, J. A., & Shleifer, A. (1995). Economic growth in a cross-section of cities. Journal of Monetary Economics, 36(2), 117-143.

Guilhoto, J. M., Azzoni, C. R., Silveira, F. G., Ichihara, S. M., Diniz, B. P. C., & Moreira, G. R. C. (2007). PIB da Agricultura familiar: Brasil-Estados (171 p.). Brasília: MDA.

Hair, J. F., Black, W. C., Babin, B. J., & Anderson, R. E. (2010). Multivariate data analysis (7th ed., 816 p.). New Jersey: Prentice Hall.

Harman, H. (1976). Modern factor analysis (3rd ed., 508 p.). Chicago: University of Chicago Press.

Head, K., & Mayer, T. (2003). The empirics of agglomeration and trade (67 p.). Paris: CEPII. Recuperado em 5 de abril de 2015, de http://www.cepii.fr/PDF_PUB/wp/2003/wp2003-15.pdf

Hoffmann, R. (1992). A dinâmica da modernização da agricultura em 157 microrregiões homogêneas do Brasil. Revista de Economia e Sociologia Rural, 30(4), 271-290

Hoffmann, R., & Kageyama, A. A. (1985). Modernização da agricultura e distribuição de renda no Brasil. Pesquisa e Planejamento Econômico, 15(1), 171-208.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. (2001). Produção agrícola municipal: culturas temporárias e permanentes 2000 (89 p.). Rio de Janeiro: IBGE.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. (2002). Censo demográfico 2000: características da população e dos domicílios: resultados do universo (550 p.). Rio de Janeiro: IBGE.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. (2011). Produção agrícola municipal: culturas temporárias e permanentes 2010 (90 p.). Rio de Janeiro: IBGE.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. (2012). Produto Interno Bruto dos municípios 2010 (105 p.). Rio de Janeiro: IBGE.

Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social – IPARDES. (2005). Os vários Paranás: estudo socioeconômico-institucionais como subsidio ao plano de desenvolvimento regional (305 p.). Curitiba.

Johnson, R. A., & Wichern, D. W. (2007). Applied multivariate statistical analysis (6th ed., 800 p.). New Jersey: Prentice-Hall.

Kim, J., & Mueller, C. W. (1978). Introduction to factor analysis: what it is and how to do it (80 p.). London: Sage Publications.

Krugman, P. (1993). First nature, second nature, and metropolitan location. Journal Of Regional Science, 33(2), 129-144.

Krugman, P. (1991). Geography and trade (156 p.). Cambridge: MIT Press.

Krugman, P. (1998). What’s new about the new economic geography? Oxford Review of Economic Policy 14(2), 7-17.

Laurenti, A. C., & Del Grossi, M. E. (2000). A evolução das pessoas ocupadas nas atividades agrícolas e não agrícolas nas áreas rurais do Brasil. In C. Campanhola & J. G. Silva (Eds.), O novo rural brasileiro: uma análise nacional e regional (Cap. 1, pp. 15-66). Jaguariúna: EMBRAPA Meio Ambiente.

Lima, A. L. L. (2010). Estrutura e expansão da agroindústria canavieira no Sudoeste Goiano: impactos no uso do solo e na estrutura fundiária a partir de 1990 (Tese de doutorado). Instituto de Economia, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.

Lösch, A. (1954). The economics of location (520 p.). New Haven: Yale University Press.

Maia, A. G. (2005). Evolução recente da ocupação e do rendimento no setor agrícola. In Anais Eletrônicos do 43º Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural. Ribeirão Preto: SOBER. Recuperado em 24 de setembro de 2014, de http://www.sober.org.br/palestra/2/843.pdf

Marshall, A. (1996). Princípios de economia: tratado introdutório (1 vol., 398 p.). São Paulo: Nova Cultural.

Mascarenhas, A., Rui, A., & Carlotto, L. (2012). Participação de mercado das indústrias frigoríficas em Mato Grosso do Sul (5 p.). Campo Grande: FAMASUL.

Mattei, L. (1999). Pluriatividade e desenvolvimento rural no estado de Santa Catarina (Tese de doutorado). Instituto de Economia, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.

Miller, H. J. (2004). Tobler’s first law and spatial analysis. Annals of the Association of American Geographers, 94(2), 284-289.

Mingoti, S. A. (2005). Análise de dados através de métodos de estatística multivariada: uma abordagem aplicada (297 p.). Belo Horizonte: UFMG.

Moysés, A., & Silva, E. R. (2007). Ocupação e urbanização dos cerrados do centro-oeste e a formação de uma rede urbana concentrada e desigual. In Anais Eletrônicos do 13º Encontro da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional. Pará: ANPUR. Recuperado em 10 de janeiro de 2015, de https://observatoriogeogoias.iesa.ufg.br/up/215/o/aristides_moyses.pdf

Meurer, A. P. S., Shikida, P. F. A., & Vian, C. E. F. (2015). Análise da agroindústria canavieira nos estados do Centro-Oeste do Brasil a partir da Matriz de Capacidades Tecnológicas. Revista de Economia e Sociologia Rural, 53(1), 159-178.

Ocaãn-Riola, R., & Sañchez-Cantalejo, C. (2005). Rurality index for small areas in Spain. Social Indicators Research, (73), 247-266.

Pereira, E. S. L. F., Pereirinha, J. A., & Passos, J. M. (2009). Desenvolvimento de índices de caracterização do território para o estudo da pobreza rural em Portugal Continental. Revista Portuguesa de Estudos Regionais, (21), 7-35.

Pinheiro, M. A. (2007). Distribuição espacial da agropecuária do estado do Paraná: um estudo da função de produção (Dissertação de mestrado). Universidade de Maringá, Maringá.

Redding, S., & Venables, A. (2004). Economic geography and international inequality. Journal of International Economics, 62(1), 53-82.

Reis, E., Pimentel, M., Alvarenga, A. L., & Horácio, M. C. (2008). Áreas mínimas comparáveis para os períodos intercensitários de 1872 a 2000 (22 p.). Rio de Janeiro: Ipea/Dimac. Recuperado em 20 de abril de 2014, de http://nemesis.org.br/sec-din.php?s=500&i=pt

Silva, J. G., & Del Grossi, M. E. (1997). A evolução do emprego não agrícola no meio rural brasileiro. 1992-95. Indicadores Econômicos FEE, 25(3), 105-126.

Silva, J. G., Del Grossi, M. E., & Campanhola, C. (2002). O que há de realmente novo no rural brasileiro. Cadernos de Ciência & Tecnologia, 19(1), 37-67.

Silva, R. R. (2011). Aglomerações populacionais na Região Norte do Brasil de 1980 a 2000: uma abordagem por meio da Nova Geografia Econômica (Tese de doutorado). Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, Piracicaba.

Silveira Neto, R. M. (2001). Localização, crescimento e Spillovers: evidências para os estados brasileiros e setores. In Anais Eletrônicos do 29º Encontro Nacional de Economia da ANPCE. Salvador: ANPEC. Recuperado em 20 de janeiro de 2015, de http://www.anpec.org.br/encontro2001/artigos/200105208.pdf

Souza, B. A., & Morais, R. E. S. (2012). Agronegócio, análises e reflexões sobre desenvolvimento e sustentabilidade no estado de Goiás. Revista Plurais, 2(1), 63-72.

Souza, C. C. A. (2007). A nova geografia econômica: três ensaios para o Brasil (Tese de doutorado). Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.

Souza, P. M., Ponciano, N. J., Mata, H. T. C., Brito, M. M., & Golinski, J. (2009). Padrão de desenvolvimento tecnológico dos municípios das Regiões Norte e Noroeste do Rio de Janeiro. Revista de Economia e Sociologia Rural, 47(4), 946-970.

Souza, P. M., & Lima, J. E. (2003). Intensidade e dinâmica da modernização agrícola no Brasil e nas unidades da federação. Revista Brasileira de Economia, 57(4), 795-824.

Velicer, W. F., & Fava, J. L. (1998). Effects of variable and subject sampling on factor pattern recovery. Psychological Methods, 3(2), 231-251. http://dx.doi.org/10.1037/1082-989X.3.2.231

Von Thünen, J. H. (1966). Isolated state (304 p.). Oxford: Pergamon Press.

Weber, A. (1957). Theory of location of industries (2nd ed., 306 p.). Chicago: University of Chicago Press.


Submetido em:
07/02/2018

Aceito em:
07/09/2019

5f11def50e8825f8221a886f resr Articles

resr

Share this page
Page Sections