Revista de Economia e Sociologia Rural
https://revistasober.org/article/doi/10.1590/1806-9479.2020.214991
Revista de Economia e Sociologia Rural
ARTIGO ORIGINAL

Instituições na pecuária de corte e sua influência sobre o avanço da sojicultura na Campanha Gaúcha - Brasil

Institutions in livestock and its influence on the progress of soybeans in the Campanha Gaúcha – Brazil

Cinthia Simões da Silva; João Garibaldi Almeida Viana

Downloads: 0
Views: 32

Resumo

Resumo: A produção pecuária é uma atividade de tradição no Rio Grande Sul, caracterizada historicamente por sua exploração em sinergia com os campos naturais do Bioma Pampa. No entanto, nas últimas décadas ocorreu forte expansão das lavouras de soja no Pampa brasileiro, determinando mudanças estruturais na atividade e na forma de o pecuarista “pensar”. Sob a perspectiva teórica da Economia Institucional, estas mudanças no ambiente social e econômico da atividade pecuária podem ser explicadas pelo comportamento de diversas instituições. Dessa forma, o objetivo do estudo foi analisar as instituições da pecuária de corte e sua influência no avanço da soja na Campanha Gaúcha. A pesquisa teve um caráter descritivo e explicativo, a partir de uma abordagem quantitativa. O método utilizado foi o survey, com a aplicação de um questionário em uma amostra de 95 pecuaristas, sendo 53 “pecuaristas tradicionais” e 42 “pecuaristas sojicultores”. A análise dos dados seguiu as técnicas de análise fatorial exploratória, teste de hipótese t-student e regressão Tobit múltipla. Como resultados, foram identificados quatro tipos de instituições na pecuária: Instituições Econômicas, Instituições Organizacionais, Instituições Comportamentais e Instituições Socioambientais. O modelo Tobit demonstrou que o avanço da soja na região é influenciado por motivações de ordem econômica, enquanto instituições informais, como hábitos e padrões de comportamento socioambientais, reprimem o crescimento da cultura agrícola nas propriedades. Como contribuição, o estudo buscou explicar os determinantes institucionais da recente expansão da soja no Pampa Gaúcho, trazendo elementos capazes de induzir políticas de desenvolvimento sustentável e extensão rural nesse território.

Palavras-chave

desenvolvimento rural, economia institucional, economia rural, institucionalismo

Abstract

Abstract: Livestock production is a traditional activity in Rio Grande Sul, historically characterized by its exploitation in synergy with the natural fields of the Pampa Biome. However, in recent decades it has been a strong expansion of soybean crops in the Brazilian Pampas, leading to structural changes in the activity and way of the farmer “think”. From the theoretical perspective of Institutional Economics, these changes in the social and economic environment of livestock activity can be explained by the behavior of different institutions. Thus, the aim of this study was to analyze the institutions of livestock and their influence on the advancement of soybean in the Campanha Gaúcha region. The research had a descriptive and explanatory character from a quantitative approach. The method used was the survey, with a questionnaire applied to a sample of 95 farmers, 53 “traditional cattle farmers” and 42 “soy-cattle farmers”. Data analysis followed techniques of the exploratory factor analysis, student's t-test and multiple Tobit regression. As a result, four types of livestock institutions were identified: Economic Institutions, Organizational Institutions, Behavioral Institutions and Socio-Environmental Institutions. The Tobit model showed that the advance of soybeans in the region are influenced by economic motivations, while informal institutions, such as social and environmental habits and behavior patterns, repress the growth of agricultural crops on the farmers. As a contribution, this study sought to explain the institutional determinants of the recent expansion of soybean in Pampa Gaúcho, bringing elements capable of inducing policies of sustainable development and rural extension in this territory.

Keywords

rural development, Institutional Economics, Agricultural Economics, institutionalism

Referências

Agne C. L. Mudanças institucionais na agricultura familiar: as políticas locais e as políticas públicas nas trajetórias das famílias nas atividades de processamento de alimentos no Rio Grande do Sul. 2014.

Anholeto C. D., Massuquetti A. A soja brasileira e gaúcha no período 1994-2010: uma análise da produção, exportação, renda e emprego. Revista Economia e Desenvolvimento. 2015;13(2):379-404.

Coase R. H. The nature of the firm. Economica. 1937;4(16):386-405.

Coase R. H. The New Institution Economics. The American Economic Review. 1998;88(2):72-4.

Conceição O. A. C. A dimensão institucional do processo de crescimento econômico: inovações e mudanças institucionais, rotinas e tecnologia social. Economia e Sociedade. 2016;17(1):85-108.

Commons J. R. Institutional economics. The American Economic Review. 1931;21:648-57.

Dugger W. The New Institutionalism: new but not Institutionalist. Journal of Economic Issues. 1990;24(2):423-31.

Painel do agronegócio. 2016.

Glasenapp S. As instituições na trajetória das transformações produtivas e organizacionais das famílias produtoras de tabaco no Rio Grande do Sul (RS). 2016.

Gujarati D. Econometria básica. 2006.

Hair J. F., Anderson R. E., Tatham R. L., Black W. C. Análise multivariada de dados.. 2009.

High C., Pelling M., Nemes G. Understanding informal institutions: networks and communities in rural development.. 2005.

Hodgson G. M. On the evolution of Thorstein Veblen’s evolutionary economics. Cambridge Journal of Economics. 1998;22:415-31.

Hodgson G. M. What is the essence of institutional economics?. Journal of Economic Issues. 2000;34(2):317-29.

Pesquisa Agrícola Municipal. 2019.

Kherallah M., Kirsten J. The new institutional economics: applications for agricultural policy research in developing countries. 2010.

Kuplich T. M., Capoane V., Costa L. F. F. O avanço da soja no Bioma Pampa. Boletim Geográfico do Rio Grande do Sul. 2018:83-100.

Mcdonald J. F., Moffitt R. A. The uses of Tobit analysis. The Review of Economics and Statistics. 1980;62(2):318-21.

Mitchell W. The rationality of economic activity: II. Journal of Political Economy. 1910;18(3):197-216.

Nicola M. P. Espaço protegido e desenvolvimento rural: práticas e trajetórias na pecuária familiar da região Centro Sul do Rio Grande do Sul. 2015.

North D. C. Economic performance through time. The American Economic Review. 1994;84(3):359-68.

North D. C. Institutions, institutional change and economic performance.. 1990.

North D. C. Institutions. The Journal of Economic Perspectives, Nashville. 1991;5(1):97-112.

Oliveira L. F. T., Silva S. P. Mudanças institucionais e produção familiar na cadeia produtiva do leite no Oeste Catarinense. Revista de Economia e Sociologia Rural. 2012;50(4):705-20.

Oliveira U., Soares-Filho B. S., Paglia A. P., Brescovit A. D., De Carvalho C. J., Silva D. P., Stehmann J. R. Biodiversity conservation gaps in the Brazilian protected areas. Scientific Reports. 2017;7(1):1-9.

Olsen W., Morgan J. Institutional change from within the informal sector in Indian rural labour relations. International Review of Sociology. 2010;20(3):535-55.

Rutherford M. Institutional economics: then and now. The Journal of Economic Perspectives. 2001;15(3):173-94.

Rutherford M. Veblen’s Evolutionary Programme: a promise unfulfilled. Cambridge Journal of Economics. 1998;22:463-77.

Samuels W. The presente state of institutional economics. Cambridge Journal of Economics. 1995;19:569-90.

Silveira V. C. P., González J. A., Fonseca E. L. Land use changes after the period commodities rising price in the Rio Grande do Sul State, Brasil. Ciência Rural. 2017;47(4).

Silva P. X., Cario S. A. Para além da interpretação do papel da agricultura no desenvolvimento econômico brasileiro: uma leitura sob perspectiva evolucionária-institucionalista. Desenvolvimento Socioeconômico em Debate. 2016;2(1):39-63.

Stevenson W. J. Estatística aplicada à Administração.. 2001.

Veblen T. A teoria da classe ociosa.. 1987.

Veblen T. Why is economics not an evolutionary science?. The Quarterly Journal of Economics. 1898;12(4):373-97.

Viana J. G. A., Waquil P. D. Uma perspectiva evolucionária da economia agrícola: o caso da produção ovina no Brasil e Uruguai. Revista de Economia e Sociologia Rural. 2014;52(3):471-94.

Williamson O. E. The Economic Institutions of Capitalism.. 1985.

Williamson O. E. The New Institutional Economics: taking stock, looking ahead. Journal of Economic Literature. 2000;38:595-613.


Submetido em:
04/10/2018

Aceito em:
03/11/2019

5f700ae90e8825685e97b914 resr Articles

resr

Share this page
Page Sections