Revista de Economia e Sociologia Rural
https://revistasober.org/article/doi/10.1590/1806-9479.2021.231355
Revista de Economia e Sociologia Rural
Original Article

Rural development and the expansion of non‑agricultural activities in the Brazilian Amazon

Desenvolvimento rural e a expansão das atividades não agropecuárias na Amazônia Brasileira

Francisco Diétima da Silva Bezerra; Carlos Alves do Nascimento; Alexandre Gori Maia

Downloads: 0
Views: 847

Abstract

Abstract: This paper analyzes the employment and income dynamics of rural families in Brazil's North Region, the main representative of the Brazilian Amazon. We use information from the National Household Sample Survey between 2004 and 2015 to create a typology of families based on the members' occupation in agricultural and non-agricultural activities. We hypothesize that the recent increase in employment and income was strongly associated with non-agricultural activities, reproducing the dynamics observed in other developing countries and Brazil's more developed regions. The results highlight that, differently from the rural exodus observed in the other regions of the country, the number of rural households increased in the North Region, attracted by the expanding non-agricultural occupations. As a result, the importance of earnings from non-agricultural activities and non-labor (pensions, cash transfers, among others) to family income has increased considerably, especially among self-employed family farmers. The final discussion highlights the relevance of non-agricultural activities for public policies to increase income in less developed rural areas.

Keywords

rural development, multi-activity, agricultural occupation, Brazilian North Region

Resumo

Resumo: O artigo analisa a dinâmica do emprego e renda das famílias rurais na Região Norte, segundo uma tipologia com base na ocupação dos membros familiares em atividades agropecuárias e não agropecuárias. As análises baseiam-se em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) para o período de 2004 a 2015. A hipótese do trabalho é que as atividades não agropecuárias têm ganhado importância na geração de ocupação e renda para as famílias rurais, reproduzindo o comportamento observado anteriormente em outros países e também nas regiões brasileiras mais desenvolvidas. Os resultados destacam que, ao contrário do êxodo rural observado nas demais regiões do país, o número de famílias rurais cresceu na Região Norte, e esse crescimento foi sustentado pela expansão das atividades não agropecuárias. Com isso, a renda familiar passa a ser composta mais fortemente pelos rendimentos provenientes das fontes não agropecuárias, além da renda proveniente do não trabalho (aposentadorias e pensões, transferências de renda, dentre outras), sobretudo os agricultores familiares por conta própria. A discussão final destaca a importância das atividades não agropecuárias para o direcionamento de políticas públicas de aumento da renda nas áreas rurais menos desenvolvidas da região.
 

Palavras-chave

desenvolvimento rural, pluriatividade, ocupação agropecuária, Região Norte

Referências

Abramovay, R. (2009). O futuro das regiões rurais (2. ed.). Porto Alegre: Editora da UFRGS.

Aquino, J. R., & Nascimento, C. A. (2015). O “novo” rural do Rio Grande do Norte revisitado. Cadernos de Ciências Sociais Aplicadas, 12(20), 135-157.

Aquino, J. R., & Nascimento, C. A. (2020a). A grande seca e as fontes de ocupação e renda das famílias rurais no Nordeste do Brasil (2011-2015). Revista Economica do Nordeste, 51(2), 81-97.

Aquino, J. R., & Nascimento, C. A. (2020b). Heterogeneidade e dinâmicas das fontes de ocupação e renda das famílias rurais nos estados do nordeste brasileiro. Revista Grifos, 29(50), 126-148.

Arkleton Trust. (1992). Adaptation des menages agricoles en Europe Occidentale 1987-1999: Rapport final du programme de recherche sur les structures et la pluriactivité des menages agricoles. Luxembourg: Commission Européenne.

Balsadi, O. V. (2001). Mudanças no meio rural e desafios para o desenvolvimento sustentável. São Paulo em Perspectiva, 15(1), 155-165. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-88392001000100017.

Balsadi, O. V. (2008). O mercado de trabalho assalariado na agricultura brasileira. São Paulo: Hucitec.

Balsadi, O. V., & Del Grossi, M. E. (2018). Labor and employment in Brazilian Northeastern agriculture: a look at the 2004-2014 period. Revista de Economia e Sociologia Rural, 56(1), 19-34. http://dx.doi.org/10.1590/1234-56781806-94790560102.

Berdegué, J. A., & Favareto, A. (2019). Desarrollo territorial rural en América Latina y el Caribe (Relatório Técnico). Santiago de Chile: FAO.

Buainain, A. M., Alves, E., Silveira, J. M., & Navarro, Z. (2014). O mundo rural no Brasil do século 21: a formação de um novo padrão agrário e agrícola. Brasília: EMBRAPA.

Buainain, M. A., & Dedecca, C. S. (2008). Introdução: emprego e trabalho na agricultura brasileira. In C. Miranda & B. Tiburcio (Orgs.), Emprego e Trabalho na Agricultura Brasileira. Brasília: IICA.

Campanhola, C., & Graziano da Silva, J. (2000). O novo rural brasileiro: uma análise nacional e regional. Jaguariúna, SP: EMBRAPA.

Cardoso, J. G. (2013). Agricultura familiar, pluriatividade e políticas públicas na Região Nordeste e Sul do Brasil, nos anos 1990 e 2000: trajetórias e desafios (Tese de doutorado). Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia.

Carneiro, M. J. (1996). Pluriatividade no campo: o caso francês. Revista Brasileira de Ciências Sociais, 11(32), 89-105.

Carneiro, M. J. (2008). “Rural” como categoria de pensamento. Revista Ruris, 2(1), 9-38. Retrieved in 2019, November 25, from https://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/ruris/article/view/661

Conterato, M. A. (2008). Dinâmicas regionais do desenvolvimento rural e estilos de agricultura familiar: uma análise a partir do Rio Grande do Sul (Tese de doutorado). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

Costa, F. A. (2012). Formação agropecuária na Amazônia: os desafios do desenvolvimento sustentável. Belém: NAEA.

Del Grossi, M. E. (1999). Evolução das ocupações não agrícolas no meio rural brasileiro 1981-1995 (Tese de doutorado). Universidade Estadual de Campinas, São Paulo.

Del Grossi, M. E. (2017). Agricultura familiar e a nova ruralidade entre 2004 a 2014. In R. S. Maluf & G. Flexor (Orgs.), Questões agrárias, agrícolas e rurais: conjunturas e políticas públicas (1. ed.). Rio de Janeiro: E-Papers.

Del Grossi, M. E., & Graziano da Silva, J. (2000). Notas metodológicas. In C. Campanhola & J. Graziano da Silva (Orgs.), O novo rural brasileiro: uma análise nacional e regional (1. ed.). Jaguariúna: EMBRAPA.

Del Grossi, M. E., & Graziano da Silva, J. (2006). Mudanças recentes no mercado de trabalho rural. Parcerias Estratégicas, 11(22), 201-216.

Eder, H. A. S., Souza, M., & Nascimento, C. A. (2017). A apropriação das rendas agrícolas por parte dos grupos ocupacionais familiares rurais no estado do Rio Grande do Sul nos anos 2000. Análise Econômica, 35(68), 289-315.

Escher, F., Schneider, S., Scarton, L. M., & Conterato, M. C. (2014). Caracterização da pluriatividade e dos plurirrendimentos da agricultura brasileira a partir do Censo Agropecuário 2006. Revista de Economia e Sociologia Rural, 52(4), 643-668. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-20032014000400002.

Fuller, A. M. (1990). From part-time farming to pluriactivity: a decade of change in rural Europe. Journal of Rural Studies, 6(4), 361-373.

Gasques, J. G., & Villa Verde, C. M. (1990). Crescimento da agricultura brasileira e política agrícola nos anos oitenta. Brasília: IPEA.

Graziano da Silva, J. (1999). O novo rural brasileiro (2. ed. rev.). Campinas: IE/UNICAMP.

Graziano da Silva, J., & Del Grossi, M. E. (2000). O novo rural brasileiro. In J. Graziano da Silva & M. E. Del Grossi Oficina de atualização temática: ocupações rurais não-agrícolas. Londrina: IAPAR.

Herrera, J. A., Ramos, P., & Silva, J. U. B. (2014). Novas estratégias produtivas na Amazônia: estudo sobre os produtores agropecuários familiares no sudoeste paraense. Revista de Economia e Sociologia Rural, 52(Suppl. 1), 223-242. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-20032014000600012.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. (2018). Microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilios (PNAD). Retrieved 2018, Abril 20 from: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/19897-sintese-de-indicadores-pnad2.html?=&t=microdados.

Irwin, E., Isserman, A., Kilkenny, M., & Partridge, P. (2010). A century of research on rural development and regional issues. American Journal of Agricultural Economics, 92(2), 522-553. http://dx.doi.org/10.1093/ajae/aaq008.

Kageyama, A. (2001). As múltiplas fontes de renda das famílias agrícolas brasileiras. Agricultura em São Paulo, 48(2), 57-69.

Kageyama, A. (2003). Os rurais e os agrícolas de São Paulo no Censo de 2000. Cadernos de Ciência & Tecnologia, 20(3), 413-451.

Kageyama, A. (2008). Desenvolvimento rural: conceitos e aplicações ao caso brasileiro. Porto Alegre: Editora da UFRGS.

Laurenti, A. C. (2014). Ocupação e renda na nova ruralidade brasileira: tendências de variação na ocupação e no rendimento da população rural no período 2001-2009. Londrina: IAPAR.

Lima, M. S. B. (2008). Políticas públicas e território: uma discussão sobre os determinantes da expansão da soja no sul do Amazonas (Tese de doutorado). Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

Lima, M. S. B., & Nogueira, R. J. B. (2019). Novas fronteiras agrícolas na Amazônia setentrional: a expansão da soja em Roraima (Brasil). In R. R. S. Silva-Matos, H. A. F. Andrade & N. A. F. Machado (Orgs.), A face multidisciplinar das ciências agrárias 3. Ponta Grossa, PR: Atena Editora.

Maia, A. G., & Sakamoto, C. (2016). The impacts of rapid demographic transition on family structure and income inequality in Brazil, 1981–2011. Population Studies, 70(3), 293-309.

Maia, A. G., & Sakamoto, C. S. (2014). A nova configuração do mercado de trabalho agrícola nordestino. In A. M. Buainain, E. Alves, J. M. Silveira & Z. Navarro (Orgs.), O mundo rural no Brasil do século 21: a formação de um novo padrão agrário e agrícola. Brasília: Embrapa.

Mattei, L. F. (1999). Pluriatividade e desenvolvimento rural no estado de Santa Catarina (Tese de doutorado). Universidade Estadual de Campinas, São Paulo.

Mattei, L. F. (2008). Pluriatividade no contexto da ruralidade contemporânea: evolução histórica dos debates sobre o tema. Revista Economica do Nordeste, 39(3), 411-422.

Mattei, L. F. (2015). Emprego agrícola: cenários e tendências. Estudos Avançados, 29(85), 35-52.

Meurer, A. P. S., Shikida, P. F. A., & Vian, C. E. F. (2015). Análise da agroindústria canavieira nos estados do Centro-Oeste do Brasil a partir da matriz de capacidades tecnológicas. Revista de Economia e Sociologia Rural, 53(1), 159-178. http://dx.doi.org/10.1590/1234-56781806-9479005301009.

Nascimento, C. A. (2008). Pluriatividade, pobreza rural e políticas públicas: uma análise comparada entre Brasil e União Europeia. Fortaleza: Banco do Nordeste do Brasil.

Nascimento, C. A. (2009). A pluriatividade das famílias rurais no Nordeste e no Sul do Brasil: pobreza rural e políticas públicas. Economia e Sociedade, 18(2), 317-348. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-06182009000200004.

Nascimento, C. A., & Cardozo, S. A. (2007). Redes urbanas regionais e a pluriatividade das famílias rurais no Nordeste e no Sul do Brasil, 1992-1999 e 2001-2005. Revista Economica do Nordeste, 38(4), 637-658.

Neder, H. D. (2000). A Utilização estatística das informações das PNADs: testes de hipóteses e reamostragem. In C. Campanhola & J. Graziano da Silva (Orgs.), O novo rural brasileiro: uma análise nacional e regional. Jaguariúna: EMBRAPA.

Neves, D. P. (1997). Agricultura Familiar e mercado de trabalho. Revista Estudos Sociedade e Agricultura, 5(1), 7-24.

Porkony, B., Godar, J., Hoch, L., Johnson, J., Koning, J., Medina, G., Steinbrenner, R., & Weigelt, J. (2010). A produção familiar como alternativa de um desenvolvimento sustentável para a Amazônia: lições aprendidas de iniciativas de uso florestal por produtores familiares na Amazônia boliviana, brasileira, equatoriana e peruana. Bogor/Belém: CIFOR.

Sacco dos Anjos, F. (1995). Agricultura familiar em transformação: os colonos-operários de Massaranduba (SC). Pelotas: UFPEL.

Sacco dos Anjos, F. (2003). Agricultura familiar, pluriatividade e desenvolvimento rural no Sul do Brasil. Pelotas: EGUFPEL.

Sakamoto, C. S., Nascimento, C. A., & Maia, A. G. (2016). As famílias pluriativas e não-agrícolas no rural brasileiro: condicionantes e diferenciais de renda. Revista de Economia e Sociologia Rural, 54(3), 561-582. http://dx.doi.org/10.1590/1234-56781806-94790540309.

Schneider, S. (1994). O desenvolvimento agrícola e as transformações da estrutura agrária nos países do capitalismo avançado: a pluriatividade. Revista Reforma Agrária, 24(3), 106-132.

Schneider, S. (2004). As novas formas sociais do trabalho no meio rural: a pluriatividade e as atividades rurais não-agrícolas. Revista Redes, 9(3), 75-109.

Schneider, S. (2009). Pluriatividade na Agricultura Familiar (2. ed.). Porto Alegre: Editora da UFRGS.

Schneider, S., & Conterato, M. A. (2006). Transformações agrárias, tipos de pluriatividade e desenvolvimento rural: considerações a partir do Brasil. In G. Neiman & C. Craviotti (Orgs.), Entre el Campo y la Ciudad: Desafíos y estrategias de la pluriactividad en el agro. Buenos Aires: Ciccus.

Silva, R. G., Almeida, E. S., Maciel, R. C. G., Cavalcanti, F. C. S., & Carvalho, L. A. (2010). Dinâmica da modernização em sistemas de produção familiar rural no Vale do Acre. Campo Grande: SOBER.

Staduto, J. A. R., Nascimento, C. A., & Souza, M. (2013). Ocupações e renda das mulheres e homens no rural do Estado do Paraná, Brasil: uma perspectiva de gênero. Cuadernos de Desarrollo Rural, 10(72), 91-115.

Telles, T. S., Costa, G. V., Bacchi, M. D., & Laurenti, A. C. (2017). Evolução da população rural ocupada nas Grandes Regiões do Brasil entre 2001 e 2009. Interações, 18(1), 17-26.

Terluin, I. J. (2003). Differences in economic development in rural regions of advanced countries: an overview and critical analysis of theories. Journal of Rural Studies, 19(3), 327-344.

Wanderley, M. N. B. (2000). A emergência de uma nova ruralidade nas sociedades modernas avançadas: o “rural” como espaço singular e ator coletivo. Estudos Sociedade e Agricultura, 15(15), 87-145.

Waquil, P. D., Gazolla, M., Niederle, P., Blume, R., Bastian, L., Santos, F., & Concha, M. (2013). O Perfil da agroindústria rural no Brasil: uma análise com base nos dados do Censo Agropecuário 2006. Brasília: IPEA.
 


Submetido em:
25/11/2019

Aceito em:
23/11/2020

60e4b4efa953955d193c39a2 resr Articles
Links & Downloads

resr

Share this page
Page Sections